28 março 2011
27 março 2011
26 março 2011
O Seu Olhar
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
O seu olhar agora
O seu olhar nasceu
O seu olhar me olha
O seu olhar é seu
(A.A.)
19 março 2011
17 março 2011
na base da marchinha, com todo calor
jorrando criatividade
na rua ou na tua praça, seja onde for
Ai carnaval
da proxima vez tanto nao tarde
Ah que saudade que dá
de voce, toda hora em toda parte
Ai cabrocha
Ai ai ai cabrocha iluminada
Ano passa, o tempo tenta,
e não te largo meu amor, por nada.
14 março 2011
12 março 2011
08 março 2011
(Moraes Moreira e Fausto Nilo)
Atravessei os sete mares
e por todos os lugares
por onde andei
você me dava a vida
foi uma dádiva da natureza
essa coisa acesa
que hoje vejo em ti
não acredito
nem que o mundo chora
foi bonito agora
vi você sorrir
Chega nêgo, nêgo, nêgo, nêgo
nêgo, nêgo, pára
chega nêgo, nêgo, nêgo
teu chamego para mim;
tudo que me
dá sossego
é assim
chega nêgo, nêgo, nêgo
vem pra mim.
13 fevereiro 2011
Um tento de memoria prova
Nao de uma ferida saudosista
nem de que nao tenha melhor
Quero a prova justa de que vim
nao sou
mais ou menos fulgas que um peido no oeste
De que nasci de um abestalhado
e nao me declarei achado
ate o ponto em que resisto
De que nao sei de nada
e de que tudo pode
ate o limite
09 fevereiro 2011
19 janeiro 2011
12 janeiro 2011
17 dezembro 2010
09 dezembro 2010
08 dezembro 2010
06 dezembro 2010
O meu,
Não o seu.
Oque eu fiz aquele dia contigo
fiz baseado numa coisa que eu pensei
e que eu nunca te falei. fiz só.
Você já tirou uma coisa do meu caminho porque sabia que eu nao ia gostar.
Você ja fez uma coisa longe de mim porque sabia que eu nao ia concordar.
Porque você sabia.
a gente sempre sabe...
Quando eu falo você
eu tiro de mim,
egoista que sou.
Eu falo você pra nao dizer eu
Falo você pra te tirar de mim
egoista que sou.
30 novembro 2010
Promessa
dourada, talvez com uma pedra vermelha
ou prateada tambem, bem comprida.
Eu quero te dar um piteira bonita
Pra me deitar no seu batom
e te matar um pouquinho na fumaça.
Eu vou te dar uma piteira,
Longilínea, glamurosa,
Bonita.
27 novembro 2010
23 novembro 2010
O timido e a manequim
Não sei se vou conseguir me controlar
Meu coração dispara feito um tamborim
Quando ela tira a minha paz
Com aquele jeito de andar
As vezes acho que ela sabe que eu existo
Mas nem por isso eu vou me declarar
Pois tenho medo de ficar
Na hora tão aflito
Inibido pela força de um olhar
Eu quis saber o que ela faz
Ouvi de dentro aquela voz dizer:
Não seja tão audaz
Ela é manequim
Já fez desfiles em Paris
Não vai ouvir conversa mole
De quem toca cavaquinho
É melhor não insistir
Para não se machucar
Este caso pode ter um triste fim
Não seja tolo, vai dar rolo
É jogo de aprendiz
Ela não é flor pro seu jardim
(Paulinho da Viola)
17 novembro 2010
15 novembro 2010
12 novembro 2010
Frases de ontem e anteontem
"Ir embora já? mas eu nem comecei a falar oque eu penso."
08 novembro 2010
04 novembro 2010
Nossa amizade é sucesso
A gente sempre se encontra quando eu te procuro.
A gente sempre comemora bebendo.
Nossa amizade é só beleza
Um teatro de circo de palhaços perfomáticos
A gente sempre guarda uma pra depois.
Nossa amizade não tem sombra
É só companheirismo e lealdade na boa fortuna.
A gente sempre paga uma saideira.
Nossa amizade é diversão
Sobram risos nas madrugadas eternas,
Nossa amizade não é da derrota.
28 outubro 2010
26 outubro 2010
25 outubro 2010
24 outubro 2010
20 outubro 2010
Rapidinha
Já a análise de breves encontros é duradoura
Na falta de concreto, se vira na fantasia
Sem conhecer seus espinhos
aumento a flor que vi um dia
Fica gigante demais... ilusão.
Não sei chegar aí
Se sabes o caminho, vem logo,
toma minha atitude.
O Carlos solucionou,
Sei que ausência não é falta
Mas isso fica só na cabeça.
O Manuel alerta,
Na consciência do vazio
A razão não ajuda.
11 outubro 2010
09 outubro 2010
08 outubro 2010
30 setembro 2010
Bardo Mestre
Uma figura central,
Uma estrela do alarido
do seu próprio carnaval.
Se diz o dono da bola
mesmo sem ter time.
mas toda glória suprime,
No medo e na posse se esfola.
Confortável na soberba,
a nada se rende...
Na ansia de ditar,
não aprende.
Vaidoso e inconsistente,
Atravessa bruscamente.
maestro na cabeça, do Brasil.
maestro só da puta que pariu.
23 setembro 2010
A mulher que virou homem
Eu tenho medo que você se case tão moço
Eu me casei e veja o resultado
Eu tô atolado até o pescoço. (x2)
Minha mulher apresar de ter saúde
Foi pra Hollywood, fez uma operação
Agora veio com uma nova bossa
Uma voz grossa que nem um tufão
Quando eu pergunto: o que é isso, Joana?
Ela responde: você se engana
Eu era a Joana antes da operação
Mas de hoje em diante meu nome é João
Não se confunda nem troque meu nome
Fale comigo de homem pra homem
Fique sabendo já de uma vez
Que você me paga tudo que me fez
Agora eu ando todo encabulado
E essa mágoa é que me consome
Por onde eu passo todo mundo diz
Aquele é o marido da mulher que virou homem.
(Jackson do Pandeiro)
20 setembro 2010
13 setembro 2010
06 setembro 2010
03 setembro 2010
Nada de você espero
só quero que me note
no meio desse céu estrelado
vê que eu sou bonito ridiculo
que faço papelão, os pés pela mão
O rei do carnaval
e um simples folião
Pára na minha frente
Sem me dar uma brecha
e nas aéreas mudas de idéias
Não se entrega por vaidade
jamais faz caridade
não sabe nada de peso.
02 setembro 2010
31 agosto 2010
24 agosto 2010
13 agosto 2010
depois, antigamente,
Voce se chegava com os caras que faziam musica,
Era bom conhecer os que conheciam os escritos,
Vieram os que conheciam os que conheciam os escritos
e tambem os que faziam registros de musica.
Sabia-se dos monolitos.
pula um pouco porque ninguém tem certeza mesmo.
Seguimos para aquela listagem de pintores que explicam a história
Já era preciso saber das sinfonias, concertos e errados.
Os davis e as pietas, muita tela.
As escolas, ballets
e outros batuques, os revolucionarios,
Aqui tem muita coisa já.
Um mínimo básico equivocado conhecimento do oriente.
Os poetas ou poesia,
os outros que escrevem, musica, dança, tintas...
ler o jornal.
compra o disco,
E ainda veio fotografia, cinema, o cinema francês,
contemporâneos, contemporâneos, etc..
DJs
As cenas, 60, 70, 80
Hoje você conhece rock underground ou samba de raiz,
mestre beltrano do reco-reco sagrado de Piraporinha.
é genial !
instalações,
Vivência artistica conceitual.
Descontrução de linguagens.
Contato e improvisação.
Releitura do pós.
outras coisas que nem dá pra por um nome.
e muitas mais que eu não mencionei e você vai lembrar.
e mais as que eu esqueci mesmo.
Além de todas as anteriores é claro.
E não necessariamente nessa ordem...
- Foi mal, mas eu nunca ouvi falar desse cara.
12 agosto 2010
10 agosto 2010
ou almoçando com olhar no vazio
teu riso me vem.
caminhando no vento frio
inverno dentro e fora,
teu riso.
no silêncio de uma madrugada de dia útil
ou no meu café solitário,
me vem teu riso
Num acorde triste de um tema de São João
Num confete do carnaval ainda preso no chapéu
só teu riso
nada explica,
não resolve...
teu riso não é meu.
28 julho 2010
14 julho 2010
09 - 25, 25 - 09
Julgamentos alheios eu tenho de sobra.
Sonhei com você na madrugada,
Não sei se jogo na vaca ou na cobra.
Deixei de te amar pela tua língua,
Na tua presença a minha poesia empaca.
Você tava no meu pesadelo,
Não sei se jogo na cobra ou na vaca.
07 julho 2010
é só fraqueza minha,
não sei muito do óbvio. claro.
Se aperreie não,
De tanto reprimir instintos
chego a não tê-los.
Se aperreie não,
sempre chega alguém mais fácil,
Cineminha com mcdonalds.
Se aperreie não,
que o leve existe.
solte uma pipa sem se empinar.
A cortiça portuguesa já era,
mas inventaram a rolha plástica.
Vinho há de haver.
Se aperreie não,
De tanto ficar no seco
Eu já nem sinto muita sede.
Se aperreie não,
Porque tá tudo cristalizado
um dia a gente faz uma jóia.
Se te aperrear com isso,
lembra que tem semente do velho Egito
que só brotou na idade média.
Nossa amizade é sucesso
A gente sempre se encontra quando eu te procuro.
A gente sempre comemora bebendo.
Nossa amizade é só beleza
Um teatro de circo de palhaços perfomáticos
A gente sempre guarda uma pra depois.
Nossa amizade não tem sombra
É só companheirismo e lealdade na boa fortuna.
A gente sempre paga uma saideira.
Nossa amizade é diversão
Sobram risos nas madrugadas eternas,
Nossa amizade não é da derrota.
05 julho 2010
26 junho 2010
24 junho 2010
Planta semente de fruta doce na dureza impenetrável.
Traz o novo sem querer, sem nomear, sem dó, sendo.
Não tem origem que se ache, é vinda de toda parte.
Segue o voô sem saber que pedra amoleceu, fertilizou.
Experimenta o chão nesse broto sedento.
Ela adora essa pausa.
A pedra não é só
e em silêncio, agradece.
19 junho 2010
10 junho 2010
Pano de toureira
Me consumo na dúvida, expectador.
Tô perdido no teu balanço
Mas nosso encontro sabe chegar.
Te disse que não ligo pra ausência,
Que não detesto distância.
Que agonizo mais acima,
No tempo que se perde disso.
Sei que tive ontem errado,
Te olhei e vi menina
Em noite de cegueira quase plena.
Tenho hoje só cotidiano,
com você na noite em claro,
Hei de ter amanhã certeiro.
e oque
é uma casa vazia.
e oque sobra no fim
é sem mistério.
e oque morre depois
é esperança.
e se chegar a ser nada,
é intervalo de algo.
03 junho 2010
Que você tem certeza de uma coisa
Que eu tenho certeza
Que não
Minha poesia consiste
em subdividir certas frases
em mais linhas do que o necessário,
desperdiçando papel.
diz que não.
-------------------
"Não vou gostar de quem não gosta de mim"
Isto tem um probleminha no fim.
"Só vou gostar de quem só gosta de mim"
é caso sério, bem mais sério, sério sim.
Porque daqui a pouco
Se ninguém gostar de mim
condenado eu estaria
a não gostar de ninguém mais.
é necessário nesse mundo dar um tempo,
até sem tempo pra poder gostar de alguém.
é necessário nesse plano ter um tempo,
pra gostar de quem não gosta de ninguém.
22 maio 2010
Te vi lá
graças à Deus e ao Nelson do Cavaquinho
tava seguindo no meu caminho,
casa florida encontrei,
Projetei
Tão belas flores em carne e osso
Chorando a missa derradeira,
meu último compromisso.
Entre disfarces de abraços solidários
Se equilibrando nas etiquetas,
Tão bem descabeladas no irreverssível
Disputavam as alças na unha.
No canto, um olhar no vazio,
encolhida abraçava os joelhos
de moletom preto e lágrimas.
Te vi, mais linda, pior.
Atropelada, porrada da minha falta,
bem longe de se livrar de nós,
Em meu sonho que é sabido,
Você sempre enfeita o meu fim.
17 maio 2010
passa em claro
com imagens de gestos
As minhas passam longamente.
Acompanhado da tua ausência
Tranformo isso, no silêncio.
As vezes me toco,
vibro
com os gênios.
As vezes te escrevo
Uma coisa que se insere
Na escola artística da minha geração
Um noite sempre passa
até pelo vão da porta
porta frio
As vezes me anestesio
E o relógio anda
não crio
Rio da sua descolada
E penso que eu devia meter o pé
Fica aquele suspiro
Um noite sempre passa
depois
12 maio 2010
11 maio 2010
Que querer eu quero?
é claro.
mas hei de te fazer
bem demais.
Tenho tempo pra todo muito
bastante pra colher fruta madura
Não disputo com piá
A manga do começo do verão
A deliciosa vai cair
Na semana que vens,
no meu colo,
nas minhas cabeças.
Que querer eu quero?
Não te digo mesmo sem saber,
Só faço a mínima idéia
de que é bom de tá perto
e ainda melhor de tá junto
e principalmente dentro.
Não deixo pra platéia
nem metade do meu olhar
nem trecho do teu riso que não é só
minha benção de Oxalá
Teu descolo.
Meu sucesso.
Me deixas tão jovem
quando me abana na Sapucaí
rindo...
e vai indo...
Pode tirar chapéu pra mim,
Mas deixa eu abrir a porta.
E quando entrar, repara.
Porque é verdade.
Eu sou demais
E sou bem vindo.
06 maio 2010
sempre a cicatriz a vista
a falta é mato.
a fartura é que é raridade
O atrito é constante no universo
a vida se faz nisso
A pausa não existe
Foi idealizada, é utopia
O tempo que te espero só
não é espera, é perda.
A paz nunca veio,
Só a luta se registra.
A conquista é instantanêa.
Ainda que demore séculos pra ser alcançada,
Dura o tempo de um peido
sempre sucedida de algo menor e menor.
No meu rancho lá na serra,
Nosso momento mais sublime
virou esquecimento, até duvidam.
Hoje é só um causo na minha memória.
Na minha cabana na Bahia
Nosso cheiro se perdeu.
Foi tão fogoso, tão cigano
Mas ninguém fotografou.
Aquele dia eu te disse,
Com alma aberta, como nunca
Mas você não ouviu
Ou ouviu mas esqueceu.
01 maio 2010
50 centavos
Eu não sabia oque fazer.
Te ofereci uma itaipava
Mas o cara não fez duas por cinco.
A solução foi dividir
E você não achou romântico
A noite tava tão quente
A cerveja estava também
Num momento de tristeza
Me faltou destreza
Na tua frente engasguei
E a cerveja, morninha, babei.
Já não tinha mais conserto
Nem dava pra piorar
A vergonha de estar por perto
Pairava no seu olhar
Era o nosso primeiro lance
E eu não fui atento
O tempo não volta jamais
arrependido, não vivo em paz.
Você foi dançar forró com o Ataliba
No cantinho eu resmunguei:
"só me faltaram 50 centavos,
Matemática eu estudei."
28 abril 2010
Playboy perdeu.
Vocês é fulano de tal
e eu não sou normal.
Não venham tentar me iludir.
Com o brilho dessa vaselina.
Sabonetes grandes e pequenos
Desfilam na noite estrelada.
Tem panelinha que põe pressão
Vendendo o meio do olho e os discos.
Todo mundo já manjou os malditos
Esse mundinho sempre soube dissos.
Um critério pra cada freguês
Não fui hippie nem sou nagô.
Eu sou vip, não tô com vocês
Sou da faxina que nunca chegou.
O messias que nunca veio
Já morreu na sarjeta outra vez.
Aquele protesto, a gente não foi
E o dinheiro já nem me dá oi.
27 abril 2010
Aviso aos Juniores
É bom já ficar avisado.
Que eu só sou filho da minha mãe.
E não nasci em disco de ouro.
Eu não sou filho da Elis Regina.
E minha mãe não deu pro Jair.
Mas antes de dar na tua cara
Vou te dar a chance de sair.
Enfia o release entre as pernas
E choraminga que eu sou um animal
Pede um protools de natal.
E vá gravar outro disco boçal.
Eu não ganhei festival do papai.
Eu não sou filho daquele vinil
E você que tão cedo já sai,
Vá pra produça que lhe pariu.
22 abril 2010
Um Bodegueiro Na Fiec
Você não faria a menor falta
Num dia de domingo no Beach Park
Eu não te levaria nem morta
A passear comigo no Iguatemi
Eu não me atreveria a passar vexame
Perante os meus amigos lá da Aldeota
Pois agora eu tenho o maior respaldo
Nas altas paneladas da alta sociedade
Eu sei que a burguesia fede
Mas tem dinheiro pra comprar perfume
E além do mais o high society
Leva chifre e não tem ciúme
Eu sou "in", não sou "out" - eu sou VIP
Agora com você eu não quero nem ovo
Eu sei que o meu passado agora me condena
A sua presença só me prejudica
Suja a minha glória, borra a minha fama
Pois hoje eu sou pessoa muito benquista
Com muita influência no meio das rodas
Até já fui chamado pra dar palpite
Na vida sexual da Primeira Dama
19 abril 2010
Se esmaga com respeito
pisando descalço e devagar.
não se fere sem soprar.
É uma forlateza de areia fina.
Nem dinamites nem marretas,
Pra destruir, use a brisa
naquela cena bela, triste...
Mora sempre na véspera do sangramento
Que já batizou de sina,
Mas exige do algoz a reverência.
Não pode com tanta grosseria
Com esse tempo de ninguém com tempo,
Esse atropelo impessoal, gelado.
07 abril 2010
Me perdi
tô em nova friburgo...
Que que eu faço?
Vou de trem,
de metro, avião...
Que embarasso
Me perdi,
Sei se volto se vou ou se fico...
Que que eu quero?
Vou tomar uma pinga
onde a dor choraminga
e cantar um bom bolero.
(Pedro Gonza e Carlos Zimbher)
06 abril 2010
Inspirado na professora do Charlie Brown
- sim
blablablablablabla
- legal
blablablablablablablabla
- interessante
blablablablablablablablablabla ?
- ...
Bla ?
- ...
05 abril 2010
fósforo sem atritos.
Já não aguento esse gasto.
Uma agonia que não tem nada de concreto.
Já nem conheço mais a pista.
Aquele sorriso ou o olho ?
A espinha exposta que não foi,
nem os ossos.
Ao pensar na tua primeira indagação
Naquele breve encontro que não encontrei.
Naquele beijo que acho que ia.
Vejo que o demônio espreita
no não realizado,
no que distrai da vida.
E te acho tão covarde quanto eu...
menino...
medroso...
27 março 2010
Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal.
24 março 2010
His face so soft and wondrous fair
The purest eyes
and the strongest hands
I love the ground on where he stands
I love the ground on where he stands
Black is the color of my true love's hair
Of my true love's hair
Of my true love's hair
Oh I love my lover
and well he knows
yes, I love the ground on where he goes
And still I hope
that the time will come
when he and I will be as one
when he and I will be as one
So black is the color of my true love's hair
Black is the color of my true love's hair
Black is the color of my true love's hair
22 março 2010
Depois de um turbilhão ainda penso.
Fuga nas datas,
nos cedos da vida.
Faça,
Tua dança de me abanar.
Faca na fruta,
me prega uma peça.
sem pressa,
mas sem objetivo.
Sou menina tímida.
Não posso te me oferecer,
ou que me te ofereça.
Prefiro que uses teu dom, juan.
Ô purinha que me envenena,
saiba que sangro muito sem deixar.
Faltas,
Depois do turbilhão ainda penso.
E o barulho não me distrai disso,
Faltas.
17 março 2010
Quer sentir toda a bela pausa
Ver teu rebolado de longe
Acomodado nos teus fartos seios
te respeita demais.
me aproxima mas não chega
quer uma certeza pra agir
isso não existe aqui.
é exposto, sem coragem
se perde na comunicação
te assusta na linguagem
Não quer jogar
Se justifica, ridículo
Foge do risco.
12 março 2010
Glaucoma
Tem gente morrendo a toa.
Tem gente nascendo demais.
O luxo que tava aqui antes de nós
nunca foi suficiente pro nosso egoísmo
Agora, nem dividindo.
Competir é a religião em prática.
e como somos fiéis.
Todos nós tomamos boladas
de peladas alheias.
mas produzimos também
pedradas perdidas.
dito, não dito.
redito no ouvido não edito.
Não me defenda.
como? te cuida.
desculpa? as vezes me ataco
no meio do racha dos outros.
E na minha guerra interna,
mato uma barata que não sabe de nada.
11 março 2010
eu te sirvo
pressentimento demora pra confirmar.
Gotas salgadas
descendo pelo cangote.
Ânsia da tua intimidade
continuado vinculo assustador
abrimos no meio da dança
de Shiva. imensa.
que problema.
que demais !
sem desculpa,
sem porque.
pede a saideira
não sai.
me despe da cabeça
me despe da fantasia.
interroga, não responde
me azucrina
me tortura
não permita minha réplica.
fala manso sem palavras.
Arranca meus álibis.
me exige direto,
eu te sirvo.
10 março 2010
Ausência
que a ausência era falta.
E lastimava, ignorante a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços
que rio e danço e invento
exclamações alegres
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)
08 março 2010
Av. Dr. Arnaldo 666
Quando eu Voltar dessa jornada
A7 /// D7/F# A7 D7/F#//
E nem o samba puder me consolar, Laia Laia
E7/G# F#7
Dessa (nossa) história malfadada
E7 A7 D //
Não quero ter que me lembrar.
F# // Bm //
Eu não vou ficar dismilinguido,
E Dº D F#
Celebrarei o fim da nossa química,
G F# Bm //
Você já estará me esperando
G F# Bm
Bem em frente ao hospital das clínica.
G A D //
O endereço é bem arborizado
Dº E7/G# F# Bm7 //
E a viiiiizinhaaança não vai reclamar.
G F# Bm //
O veneno que você traz guardado
G F# Bm //
Não terá destino à destilar.
C#7 F#7 Bm7 //
Essa linda e perpétua morada
C#7 F#7 Bm7 //
Tua residência pra sempre será.
C#7 F#7 Bm7 //
Serei feliz ao te ver sepultada
C#7 F#7 Bm7 //
Lá no cemitério do Araça.
(Pedro Gonza/ Zimbher Carlos)
---- praticamente pronta -----------
VIII
E teve Rufus, Quintius, Gelius
Inacius e Ravidus
Tu podes muito bem, Dionísio,
Ter mais cinco mulheres
E desprezar Ariana
Que é centelha e âncora
E refrescar tuas noites
Com teus amores breves.
Ariana e Catulo, luxuriantes
Pretendem eternidade, e a coisa breve
A alma dos poetas não inflama.
Nem é justo, Dionísio, pedires ao poeta
Que seja sempre terra o que é celeste
E que terrestre não seja o que é só terra.
(Hilda Hilst)
Põe
entrando calmo de travesseiro
tua voz sorrindo mais ou menos
no lugar certo de seduzir
Põe um surdo na ponta do pé
e chuta
teu berro num rock incomodando
Ferro na testa da madrugada
Se afina logo
Tranca a porta por dentro
tamborim piscando na minha insônia
De couro quente
Gira tua saia
Me põe na roda.
03 março 2010
26 fevereiro 2010
25 fevereiro 2010
(Elton Mendeiros/Hermínio Bello de Carvalho)
Ai ardido peito
Quem irá entender o seu segredo
Quem irá pousar em teu destino
E depois morrer de teu amor
Ai mas quem virá
Me pergunto a toda hora
E a resposta é o silêncio
Que atravessa a madrugada
Vem meu novo amor
Vou deixar a casa aberta
Já escuto os teus passos
Procurando o meu abrigo
Vem que o sol raiou
Os jardins estão florindo
Tudo faz pressentimento
Que este é o tempo ansiado
De se ter felicidade
http://www.youtube.com/watch?v=SLglXm6vjzQ
10 dezembro 2009
Honlaini
Até Karma a gente arruma na internet hoje em dia.
Bastante entulho concreto que a gente pega nesse meio virtual.
Sou para-raio de maluco até aqui.
"Muita Karma meu filho, muita Karma."
09 dezembro 2009
30 novembro 2009
Voltando pro meu concreto
Cozinhei pros amigos baianos abafando com os meus dotes culinários.
Mostrei minhas belas raizes e talentos seculares.
Praia, sol, mar e cerveja.
A noite um encontro pra lá de delicioso com um casal mais do que querido.
Até minha renite percebeu que a volta à São Paulo está próxima e resolveu se manisfestar.
Amanhã finalizo essa jornada que apesar de bastante intensa foi apenas o primeiro de muitos passos no rumo da fé.
Salvador é foda.
E é pá porra !!
27 novembro 2009
Acordei as 11, depois as 14 e depois as 16...
Me preparando pra dezembro.
Hoje vou ver um samba de raiz vai começar tarde (22:00).
A roda inclui dois filhos do lendário Batatinha.
Devo chegar em casa depois da meia-noite... um abuso.
Mais cedo, comi um pão com ovo e estou de pouco tóxico.
Nada de coca-cola e depois de um resguardo religioso,
parei de fumar de novo.
Espero que Sampa ainda exista na semana que vem.
Tô com saudades de vocês...
Não todos os meus milhares de leitores,
mas os que interessam.
Ahhh !
Estou rosa.
E Vai Flamengo !!!
Saudações
26 novembro 2009
25 novembro 2009
Aquele do machado.
Saudei-o no melhor lugar possível.
Desconfio que seja sua morada preferida por essas bandas.
Repeti os movimentos de outros súditos com grande alegria.
Quase me senti contentemente adequado.
Beijei a mão da rainha encarnada
e recebi minha benção.
Já foi coroada e senta no trono
Mas a majestade seria clara sem nenhum paramento.
Basta pisar alí pra desligar os sons das dúvidas.
Não me lembro do que pensei, provavelmente nada.
Mas senti um tanto.
Um tanto bom.
Um tanto claro.
Um tanto forte.
23 novembro 2009
Fiquei jogando fora, sussurando pertinho pra ele levar meu excesso de bagagem, fiz até algum afago com os dedos... ele transmitia uma paz invejável. Acho que ele tava mais por dentro dos babados do que eu.
Não que eu tenha pudores com os sacrificios da liturgia, os vegetais também são sacrificados, o nosso tempo é sacrificado a cada respirar, o amor é sacrificado em cada beijo e por aí vão os sacrificios do mundo...
Mas na hora que eu ouvi o Zé Nilton mandando eu soltar o bicho tudo fez muito mais sentido:
- Vai menino ! Joga pra cima !
E foi. Voando na mata.
Sacrificando muitas dúvidas.
21 novembro 2009
Dia da consciência
Meu cordão de isolamento.
Tentei participar mas não foi possível.
Todo tempo e energia foram gastos na vigília dos meus bolsos vazios de dinheiro.
A toda hora tinha alguém metendo a mão ou então um daqueles vários esbarrões maliciosos.
Uma senhora de uns setenta anos quase me levou esse caderno, tentou três vezes até que a empurrei sem muita força... de qualquer forma, não lhe serviria de nada.
No balanço, não me levaram nada além do gozo que não tive, da festa que não vi e da música que não dancei.
Talvez tenha sido muita audácia querer participar do dia da consciência negra junto com os negros mas a porrada da verdade ainda está me doendo.
Único branco até onde minha vista alcançava naquela multidão negra, senti a escrevidão na pele... Quando as grades são invisíveis é quase impossível arrebentar os cadeados.
Tentei enxergar até onde ia minha isenção mas acho que minha miopia não permitiu.
Lá pelas tantas, desisti, peguei um taxi e voltei pra senzala dos gringos, essa sim bem definida com grades e policias.
Não julgo os motivos e nem estou procurando culpados, eu já deveria saber que aquela rua não era minha e os camarotes muito menos.
“Adequado” é um adjetivo que nunca me serviu.
20 novembro 2009
18 novembro 2009
Durante o tempo que estive lá uma sensação de plenitude, esqueci da fome, esqueci até de coisa mais concreta.
Obviamente, não é qualquer estrangeiro que vai chegando e tendo audiência com a Rainha. Logo me avisaram secamente: " - Só em janeiro você marca jogo... sem chance."
Teimoso que sou, continuei esperando oque já tinha sido um não, logo depois ela passou na salinha procurando alguém, dando uma bronca numa filha de santo, uma nobreza arrebatadora, já tinha valido a viagem. Aquela energia silenciou minha ansiedade. Fiquei numa de pensar um monte de coisas ao mesmo tempo mas sem conflito, num ritmo de João Gilberto.
Nem me viu, só passou... e rápido. Era enorme...
Teimoso que sou continuei esperando na salinha (esperando oque?).
Uma escudeira me abordou e me levou pra conhecer todas as casas, a de Oxalá era enorme. Me mostrou o Ilê inteiro, estava saudando todas as casas na sua obrigação diária, linda, jovem e Axézenta pacaralho. No final, acho que gostou de mim, me convidou pro Padê quarta que vem. Uma nova chance....
Quando saí de lá, a fome as dúvidas voltaram.
Nosso caminho, só a gente mesmo pode caminhar.
16 novembro 2009
Na baixa do sapateiro encontrei um dia.....
Parte I - COMUNICANTE
TIPO DE ENVOLVIMENTO: VITIMA NOME: PEDRO GONÇALVES JANEQUINE; CUTIS: LEUCODERMA (BRANCA)SEXO: MASCULINO DATA DE NASCIMENTO:12/09/1979 NACIONALIDADE: BRASILEIRA; RELIGIÃO: CANDOMBLÉ Nº da INDENTIDADE:29.xxxxxxxxxx ; etc....
Parte II - FATO
DATA: 15/11/2009 HORA: 12:00 LOCAL: RUA DA INDEPENDÊNCIA PRÓXIMO AO CORPO DE BOMBEIROS BAIRRO: BAIXA DOS SAPATEIROS (1ª CIRCUNSCRIÇÂO)
Informa o comunicante que foi surpreendido por três individuos, sendo um de cor parda e os outros de cor negra e que após entrarem em luta corporal, subtrairam sua bolsa de couro de cor marrom que estava a tira colo, contendo os seguintes itens: uma camera fotográfica digital da marca canon; um cartão de débito do banco bradesco; um chaveiro contendo cerca de dez chaves; dois cadernos de anotações; um saco de pano com objetos de higiene pessoal. Diz ter solicitado apoio de uma guarnição da polícia militar que efetuou diligências sem êxito. Fato levado ao conhecimento da autoridade plantonista.
---------------------------------------------------
não se preocupem, está tudo MUUUUITO bem. Só queria registrar que houve luta corporal.
Beijos
12 janeiro 2009
08 janeiro 2009
constipada vagarosa
da minha emoção alheia por completo,
minha opaca imagem era só cabisbaixesa
Uma idéia,
fogo.
nada de transparecer
naquela imagem que era só gripe
um interesse mais solar
de uma comida nova,
invisível.
um cara tonto falador
lesado de febre...
não se via a mente desperta que eu experimentava.
19 novembro 2008
30 setembro 2008
03 junho 2008
Who do you love?

I walked 47 miles of barbed wire, I use a cobra snake for a necktie
I got a brand new house on the roadside, made from rattlesnake hide
I got a brand new chimney made on top, made out of a human skull
Now come on, take a little walk with me, Arlene and tell me who do you love?
Who do you love?
Who do you love?
Who do you love?
Who do you love?
I've got a tombstone hand and a graveyard mind, I'm just twenty-two and I don't mind dyin'
Who do you love? (x4)
I rode around the town'n use a rattlesnake whip, take it easy Arlene don't give me no lip.
Who do you love? (x4)
The night was dark and the sky was blue, down the alley a house wagon flew
Hit a bump and somebody screamed, you should'a heard just what I seen.
Who do you love? (x4)
Arlene took me by my hand, she said, "Ooo-eee Bo, I understand"
Who do you love? (x4)
(Bo Diddley)
09 maio 2008
Com meus súditos a gargalhar
carro importado, blindado, tunado..
vejo um tanto de miséria no desfile.
Prefiro a voz de uma negra gorda.
Saí do palácio a pé pra fazer a feira
Alho, limão, pimenta, parmiggiano, etc...
Vi um brinquedo bonito, luminoso
aceitavam parcelamento.
É melhor, maior e mais barato.
Sou chocolate belga,
macaxeira na fogueira.
Já fui estrangeiro ilustre
até em casamento de índio.
- Licença...
Paulistano chocado.
Português de quinta.
Italiano aristocrata.
Baiano de pouco suor.
Quatrocentão mesquinho, jamais.
Sou de honra obsoleta
De que vale? vale quanto?
naõ vale nada
mas não tem preço.
Quer comprar?
08 maio 2008
caraiva
de sossego, inevitável lembrança.
Os burocratas escrevem a história
sonhando com seus dias de bonanza.
10 janeiro 2008
30 novembro 2007
Sob Medida
Erga as mãos para os céus
E agradeça
Quando me cobiçou
Sem querer acertou
Na cabeça
Eu sou sua alma gêmea
Sou sua fêmea
Seu par, sua irmã
Eu sou seu incesto
Sou igual a você
eu nasci pra você
Eu não presto
eu não presto
Traiçoeira e vulgar
Sou sem nome e sem lar
Sou aquela
Eu sou filha da rua
Eu sou cria da sua
Costela
Sou bandida
Sou solta na vida
E sob medida
Pros carinhos seus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus
Se você crê em Deus
Encaminhe pros céus
Uma prece
E agradeça ao Senhor
Você tem o amor
Que merece
(Chico Buarque)
09 novembro 2007
.jpg)
TERESA
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
(Manuel Bandeira)
06 novembro 2007
na intolerância do teu ouvido
Teria reparado
no teu receio.
Naquele gol urgente,
No meu abraço solitário.
Teria reparado
no que é merecido?
ou teria reparado
Nesse que não te espera.
E te quer moldada
sem saber quem és.
Teria você reparado?
no cristal quebrado
desse nosso fado.
Naquele cadeado
que fechava antes do motor ligado.
fechava...
20 outubro 2007
Coroné Antonio Bento
No dia do casamento
Da sua filha Juliana,
Ele não quis sanfoneiro
Foi pro Rio de Janeiro
Convidou Bené Nunes pra tocar.
O lê, rê, ô lá rá
Nesse dia bodocó
Faltou pouco pra virar.
E todo mundo que mora por ali
Nesse dia não pode arresistir
Quando ouvia o toque do piano
Rebolava, saia requebrando
Até Zé Macacheira que era o noivo
Dançou a noite inteira sem parar.
Que é costume de todos que se casam
Ficar doido pra festa se acabar.
( Luiz Wanderley / João do Vale )
09 outubro 2007
difícil
lenda te enxergar.
Aéreo. não volta.
Incorpora teus delírios.
auto-elogio.
que vantagem ?
Esse rei aí, aquela diva também,
na europa, nos EUA....
"Já veio aqui em casa, trabalhou pra mim..."
Vai pra lá, vai pra cá.
Não sai mais do lugar.
Diz que tá construindo um palácio dourado.
Não caberá dentro dele...
Não cabe mais dentro disso.
02 outubro 2007
05 setembro 2007
28 agosto 2007
teu aperreio
não sabe de onde vem o vazio.
Compras teus brinquedos,
não tem descanso da agonia.
Teus sonhos realizados
e desejos atendidos
só te falam que tu podes
ou que alívio não existe.
O que tá dentro
testemunha tua existência
mas não te conhece.
A paz que te falta
não virá de fora.
certeza só terás do fim.
24 agosto 2007
20 agosto 2007
As vezes eu acordo e penso em como vou sobreviver, ganhar dinheiro, independência, etc... só que daí eu acho o monstro muito grande, me dá uma profunda preguiça, eu encarno a inconsequência e desisto. Quando eu não penso, eu faço. Um dia, fazendo sem pensar eu acabo ficando adulto no mundo capitalista. Pensar com o vislumbre de como anda o planeta é desanimador, desesperador e me dá essa culpa de me achar covarde. Tem uma cabeça que me ajuda, é privilegiada e é oque me faz ter tudo que tenho, inclusive você. Tem uma outra que é minha inimiga, me pára. Se eu mato ela, viro bicho, se eu não mato, fico prisioneiro... Fujo, sem pensar. Só assim consigo agir.
08 agosto 2007
Comunidade
outro de uma casa; primeiro veio um e pôs-se
junto à entrada, depois veio, ou melhor dito,
deslizou-se tão ligeiramente como se desliza uma
bolinha de mercúrio, o segundo e se pôs não
distante do primeiro, depois o terceiro, depois o
quarto, depois o quinto. Finalmente, estávamos
todos de pé, em uma linha. A gente fixou-se em
nós e assinalando-nos, dizia: os cinco acabam de
sair dessa casa. A partir dessa época vivemos
juntos, e teríamos uma existência pacífica se um
sexto não viesse sempre intrometer-se. Não nos
faz nada, mas nos incomoda, o que já é bastante;
porque se introduz por fôrça ali onde não é
querido? Não o conhecemos e não queremos
aceitá-lo. Nós cinco tampouco nos conhecíamos
antes e, se quer, tampouco nos conhecemos agora,
mas aquilo que entre nós cinco é possível e
tolerado, não é nem possível nem tolerado com
respeito àquele sexto.
Além do mais somos cinco e não queremos ser seis.
E que sentido, sobretudo, pode ter esta
convivência permanente, se entre nós cinco
tampouco tem sentido, mas nós estamos já juntos e
continuamos juntos, mas não queremos uma nova
união, exatamente em razão de nossas
experiências. Mas, como ensinar tudo isto ao
sexto, posto que longas explicações implicariam
já em uma aceitação de nosso círculo? É
preferível não explicar nada e não o aceitar. Por
muito que franza os lábios, afastamo-lo,
empurrando-o com o cotovelo, mas por mais que o
façamos, volta outra vez.
(Franz Kafka)
03 agosto 2007
02 agosto 2007
Por tu auscencia estoy
Solo la penumbra
me acompana hoy
Perdido tu amor no podre
disfrutar de felicidad
Sin destino fijo,
como el humo voy
surcando el espacio
buscandote estoy
Tal vez no encuentre
Quiza te perdi
Para siempre, amor
Recordare
Tu mirar, tu sentir
No lo puedo evitar
Y sufrire
Anorando el ayer
No te puedo olvidar
Herido de sombras
Por tu auscencia estoy
Solo la penumbra
Me acompana hoy
Perdido tu amor
no podre ser feliz
Jamas
(Rolando Vergara)
31 julho 2007
29 julho 2007
parte 1
Não te quis
Casei com uma rainha.
Você, com meu escudeiro.
Depois, nos seduzimos na calçada
por um triz
negamos a existência daquilo
mas não foi tão passageiro.
Por anos divimos os ombros
um chamariz
A vezes no fim da noite
aquele beijo matreiro
27 julho 2007
mas sem antecedentes.
Desconhecido aos olhos dos mais próximos,
Faria amigos parecidos, mas os faria diferentes
nessa amizade.
Encontraria um amor bem amado e, tentando puxar
conversa, perguntaria "qual é seu nome?"
Convidaria meus melhores amigos para nossa
primeira cerveja, nossa primeira discussão.
E queria que tudo que fizesse fosse leve de flutuar.
E que o amor que desprezei me incendiasse sem
querer e me dissesse que eu tô viajando.
E que dessa desilusão derramasse vento forte e
tempestade e mais nada que dure mais de uma
semana.
Usaria menos a pontuação.
Faria uma costura bem feita de onde achei que o
peso rebentou até o decolar do novo leve.
E daí começa o esquecimento dos históricos, que
quem é que precisa?
Deixaria a forma como fosse e a cor que quizesse.
A notas se tocariam e a dinâmica nunca foi minha
mesmo.
Acho que eu queria isso.
(Paulinho Gomes Junqueira - 14/01/05)
fim de uma carta velha
Hoje deve estar meio difícil de entender oque eu
falo... estou com o chakra da verdade confusa todo
arrombado mas ao mesmo tempo a verborragia me
domina, era um bom dia pra ir na aula de
linguística.
outra coisa é que estou afim de fazer teatro, ou
ficar rico, ou me isolar em algum ponto da bahia e
virar pescador, ou ir no jogo do corinthias xingar
o juiz, ou me apaixonar sem querer, ou um boquete
sem amor (não seu), ou só um banho de água de côco...
Crise?
Acho que te vejo logo
beijo
(verão 2005)
26 julho 2007

Ou Carnaval 05?
como desgastei o tato...
eu não sabia de você tão só.
oque se passou com a gente?
aquilo era fogo de ciúme,
ou fiquei com medo de ser pouco.
desculpa te apagar.
busco muito do que não quis nem rastro.
Era mar ou era cerveja no sol?
ou não entendi, ou tento,
ou hoje eu que me apago.
Tava te buscando nas gavetas.
agora há pouco.
era aquele dia ou eu não queria?
Tão linda naquele tempo,
ou eu não vi.
Nossa língua atravessada na briga.
Desculpa mesmo te apagar.
Ou é só esse tal tempo da vida?
sempre é insuficiente,
ou não é tempo de encontro.
Duvidei que te choraria
E mais uma vez você venceu.
Hoje é sem desespero? só melancolia?
ou lamento muito ter que te apagar...
aos poucos.
Nem sei se queria me desculpar
ou as gafes desfazer...
Seria eu hoje não fosse esse passado?
Ou ainda espero receber,
ou ainda tenho a pagar.
25 julho 2007
Dia 36
Lenço azul a apertar em branco o seu pensar
Toda uma vida embaça o seu olhar
E andando, vê passando
Tudo aquilo que errou
Hoje é dia 26,
Quem sabe vive outra vez
Ela se foi sem eu ver
Um beijo a flutuar
Cabelos rosas, gente a se abraçar
Tudo alegre, indo e vindo
Tudo em volta a brilhar
Esquece, não pensa mais
Um grito ele amou
Lençóis e colchas vão se encontrar
Não é mais dia 26
Tudo começa outra vez
1, 2, 3, 26
Tudo isso já ficou
A paz é forte e ele vai viver
A menina em frente, quente
O amor a faz girar
Hoje é dia 36
Um grito ele amou
Lençóis e colchas vão se encontrar
Não é mais dia 36
Tudo começa outra vez
Esquece, não pensa mais!
Esquece, não pensa mais!
(Mutantes & Johnny Dandurand)
24 julho 2007
colecionador de silêncios
O álcool de ontens
algo não me deixa começar.
Da cama que fiz de útero
não queria nascer hoje.
Sinto que sempre fui
Mais esse do que o outro.
muito amante, nunca sucesso
Amador, inconstante
dado ao excesso.
sem planejar a carreira
ou lastro na suiça
mas colecionador de silêncios
Sou nervos de atropelado
Sou lágrimas muito raras
23 julho 2007
Como foi?
De seus ungüentos falsificados.
Joguei teu nome no mal dizer
Na língua de pessoas piores que você
maltratei oque ainda era esperança.
Estuprei nossas melhores lembranças
Sem pudor, cuspi em cima
Dividi com o vagabundo da esquina
Comparei isso tudo ao que há de pior
Não notei diferença relevante.
O jornal continua o mesmo, farsante.
E a memória aguda, engavetada.
não me deixa fazer nem faz.
Nasci de novo mas dessa vez
alguma coisa não veio mais.
21 julho 2007
Av. Dr. Arnaldo 666
E nem o samba puder me consolar,
Da nossa história malfadada,
Não quero ter que me lembrar.
Eu não vou ficar me lamentando,
Das tuas promessas tão cínicas.
Espero já te encontrar morando
bem em frente ao hospital da clínicas
O endereço é bem arborizado,
E a vizinhança não vai reclamar.
O veneno que você traz guardado,
Não vai ter mais com quem usar.
Essa linda e perpétua morada,
Tua residência pra sempre será.
Serei feliz ao te ver sepultada,
No Cemitério do Araça.
20 julho 2007
samba do vôo 3054
que tristeza você não embarcar
Se tivesse me avisado, eu teria até pagado
um taxi pra você não se atrasar.
Fiquei entusiasmado com a notícia.
O meu calvário teria se acabado
Mas quando não vi o seu nome na lista
fiquei muito decepcionado.
O intinerário era feito pra você
seria o fim dessa existência vã
porque você foi perder
o vôo 3054 da Tam?
18/07/2007
19 julho 2007
16 julho 2007
A Espada de Ouro
Henrique Duffles Teixeira Lott,
A espada de ouro que, por escote,
Os seus cupinchas lhe vão brindar,
Não vale nada (não leve a mal
Que assim lhe fale) se comparada
Com a velha espada
De aço forjada,
Como as demais.
Espadas estas
Que a Pátria pobre, de mãos honestas,
Dá a seus soldados e generais.
Seu aço limpo vem das raízes
Batalhadoras da nossa história:
Aço que fala dos que, felizes,
Tombaram puros no chão da glória!
O ouro da outra é ouro tirado,
Ouro raspado
Pelas mãos sujas da pelegada
Do bolso gordo dos salafrários
Do bolso raso dos operários.
É ouro sinistro,
Ouro mareado:
Mancha o Ministro,
Mancha o Soldado.
(Manuel Bandeira)
12 julho 2007
11 julho 2007
dia branco,
de meias.
bolo de fubá.
nevou em Buenos Aires...
em São Paulo, não há clima.
fadiga das contas
datas, cedos.
estariamos nós fundando uma nova escola literária?
onde?
no futuro eles inventam as fronteiras.
ao diabo com os papéis.
Ontem, meu avô que eu não conheci veio me visitar.
Falou algumas marcantes... pontuais.
Eu era um molequinho quando entrei.
A casa estava cheia de velas.
Saí bem mais velho do que sempre fui.
Trace um plano,
dizia ele...
Trace um plano só pra você.
10 julho 2007
Jorro nº2
Eu abro os olhos e fico no limbo alguns segundos e logo depois isso chega pesando. Normalmente é a mesma falta que senti na hora de dormir... só que na noite tem aquela brecha do dia seguinte, aquele "amanhã eu venço..."
Essa falta que tenho vivido nas manhãs é impossibilitante, fode o juizo, não me deixa nascer. "Poxa! o mundo não acabou e eu tenho que levantar."
Me dói pensar em ontem, nos ontens, solitário nas multidões, espalhando alguma esperança nos comparças mas sabendo, no fundo, que não há remédio.
As vezes me distraio e até gozo algum festejo, no mais eu continuo martelando o mesmo prego torto no fundo do meu crânio.
Hoje em dia vamos aos bares mais arrumadinhos, reclamamos da cerveja de lata que custa quatro, cinco, seis reais... Reclamamos mas agora bebemos... e podemos pedir uma porção de calabreza mas temos cuidados com a saúde, temos preocupações dos quase trinta e continuamos com grandes projetos a realizar... ainda grandes...
E ninguém da minha mesa conhecia a expressão "zuou o plantão".
E o dinheiro? ah! o dinheiro!
E o tempo? oh! o tempo.
A apatia não tem sido praticada mas as vezes acho que não faz diferença nenhuma além daquele "ele tá melhor agora, tem saído".
O fato é que levantei e estou escrevendo esse texto (oque também não faz diferença) e logo vou pro meu piano - patrimônio único - com meu café triste continuando essa monótona sequência de mortes e vidas que nem sempre se intercalam.
Tem uns artistas que jorram arte pelo ladrão inevitavelmente e até por necessidade, sem querer querendo... inveja.
E o texto foi completamente pra outro lado sem nenhuma técnica ou preparação. Falhas várias...
Eu tenho que parir minha arte por um oríficio minúsculo pra algum remediado matar.
Nem poeta eu fui.
Quando escrevo em verso, proseio.
Tentando prosear, solto os versos.
05 julho 2007
03 julho 2007
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
29 junho 2007
25 junho 2007
Valsa
Um futuro distante
provavelmente morte.
Cedo ou tarde
Vaio esse amor,
Te nego.
Nêgo véio que é sabido
não desatina
e te olha de cima
Da ladeira, escada rolante
Rolante...
Morro abaixo morro disso.
Mas morro de sim
E vou nascendo,
Não morras de não.
Um beijo no coração
Nas coxas não.
Vamos ao possível...
Me visto de sucesso,
Faço meu solo.
Você abala.
Um dia desmorona
Quem sabe?
nasces de sim...
(Pedro)
23 junho 2007
Castles made of sand
As she slams the door in his drunken face,
And now he stands outside and all the neighbours start to gossip and drool.
He cries "Oh girl, you must be mad,
What happened to the sweet love you and me had?"
Against the door he leans and starts a scene,
And his tears fall and burn the garden green.
And so castles made of sand, fall in the sea, eventually.
A little Indian brave who before he was ten, played war games in
the woods with his Indian friends, and he built a dream that when he
grew up, he would be a fearless warrior Indian Chief.
Many moons passed and more the dream grew strong, until tomorrow
He would sing his first war song,
And fight his first battle, but something went wrong,
Suprise attack killed him in his sleep that night
And so castles made of sand, melts into the sea eventually.
There was a young girl, whose heart was a frown,
Because she was crippled for life, and couldn't speak a sound
And she wished and prayed she would stop living, so she decided to die.
She drew her wheel chair to the edge of the shore, and to her legs she smiled
"You won't hurt me no more."
But then a sight she'd never seen made her jump and say:
"Look, a golden winged ship is passing my way"
And it really didn't have to stop...it just kept on going.
And so castles made of sand slips into the sea,
Eventually
(Jimi Hendrix)
18 junho 2007
Semana dos namorados - Até logo
Will be to arrive where we started
And know the place for the first time"
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"O final de nossa jornada
Será chegar onde começamos
E conhecer o lugar pela primeira vez."
(T.S. Elliot)
17 junho 2007
Semana dos namorados - Domingo
As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
Poemas de antes IV
Reduzi cada desilusão
ao carácter inofensivo do aprendizado.
Por isso não choro
ando sem desejo...
mas sem imunidade.
(Pedro Gonçalves - convés - 01/01/05)
poemas de antes III
me torna menos interessante,
Querer-te muito
me faz disponível e entediante,
Devo evitar ser sincero.
Fazer que não quero,
que não me esmero.
Te deixar insegura
pra me sentir importante.
Mas se à tu que eu amo
não te farei mal.
Direi a verdade,
mesmo que não ouça.
Se tu só gosta do difícil,
já não tenho a menor graça.
Lamento.
Vou por aí.
(Gonzalito moleque - 07/07/2000)
16 junho 2007
Semana dos namorados - Sábado
Perante Obatalá, Ogum havia condenado a si mesmo
a trabalhar duro na forja para sempre.
Mas ele estava cansado da cidade e da sua profissão.
Queria voltar a viver na floresta,
voltar a ser o livre caçador que fora antes.
Ogum achava-se muito poderoso,
sentia que nenhum orixá poderia obrigá-lo a fazer oque não quisesse.
Ogum estava cansado do trabalho de ferreiro
e partiu para a floresta, abandonando tudo.
Logo que os orixás souberam da fuga de ogum,
foram ao seu encalço para convencê-lo a voltar a cidade e à forja,
pois ninguém podia ficar sem os artigos de ferro de ogum,
as armas, os utensílios, as ferramentas agrícolas.
Mas Ogum não ouvia ninguém, queria ficar no mato.
Simplesmente os enxotava da floresta com violência.
Todos foram lá, menos Xangô.
E como estava previsto, sem os ferros de Ogum,
O mundo começou a ir mal.
Sem os instrumentos para plantar, as colheitas escesseavam
e a humanidade já passava fome.
Foi quando uma bela e frágil jovem veio à assembléia dos orixás
e ofereceu-se a convencer Ogum a voltar à forja.
Era Oxum a bela e jovem voluntária.
Os outros orixás escarnearam dela,
tão jovem, tão bela, tão frágil.
Ela seria escorraçada por Ogum
e até temiam por ela, pois Ogum era violento,
poderia machucá-la, até matá-la.
Mas Oxum insistiu, disse que tinha poderes
de que os demais nem suspeitavam.
Obatalá, que tudo escuta mudo,
levantou a mão e impôs o silêncio.
Oxum o convencera, ela podia ir a floresta e tentar.
Assim, Oxum entrou no mato
e se aproximou do sítio onde Ogum costumava acampar.
Usava ela tão-somente cinco lenços trasparentes
presos à cintura em laços, como esvoaçante saia.
Os cabelos soltos, os pés descalços,
Oxum dançava como o vento
e seu corpo desprendia um perfume arrebatador.
Ogum foi imediatamente atraído,
irremediavelmente conquistado pela visão maravilhosa,
mas se manteve distante.
Ficou a espreita atrás dos arbustos, absorto.
De lá admirava Oxum embevecido.
Oxum o via, mas fazia de conta que não
O tempo todo ela dançava e se aproximava dele
mas fingia sempre que não dera por sua presença.
A dança e o vento faziam flutuar os cinco lenços na cintura,
deixando ver por segundos a carne irresistível de Oxum.
Ela dançava, o enlouquecia.
Dele se aproximava e com seus dedos sedutores
lambuzava de mel nos lábios de Ogum.
Ele estava como que em transe.
E ela o atraía para si e ia caminhando pela mata,
sutilmente tomando a direção da cidade.
Mais dança, mais mel, mais sedução,
Ogum não se dava conta do estratagema da dançarina.
Ela ia na frente, ele acompanhava inebriado,
louco de tesão.
Quando Ogum se deu conta,
eis que se necontravam ambos na praça da cidade.
Os orixás todos estavam lá
e aclamavam o casal em sua dança de amor.
Ogum estava na cidade, Ogum voltara!
Temendo ser tomado com fraco,
enganado pela sedução de uma mulher bonita,
Ogum deu a entender que voltara por gosto e vontade própria.
E nunca mais abandonaria a cidade.
E nunca mais abandonaria sua forja.
E os orixás aplaudiam e aplaudiam a dança de Oxum.
Ogum voltou à forja e os homens voltaram a usar seus utensílios
e houve plantações e colheitas
e a fartura baniu a fome espantou a morte.
Oxum salvara a humanidade com sua dança do amor.
(fonte: Mitologia dos Orixás - Reginaldo Prandi)
15 junho 2007
Semana dos namorados - sexta-feira
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o amor antigo, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
(Fernando Pessoa, 1911)
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca
escreveram cartas de amor é que são ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso cartas de amor ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor é que são ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos,
são naturalmente ridículas.)
(Álvaro de Campos)
14 junho 2007
Semana dos namorados - quinta-feira
Na véspera de nada ninguém me visitou.
Olhei atento a estrada durante todo o dia
Mas ninguém vinha ou via, ninguém aqui chegou.
Mas talvez não chegar
Queira dizer que há
Outra estrada que achar,
Certa estrada que está,
Como quando da festa
Se esquece quem lá está.
(Fernando Pessoa)
Receita para não engordar sem necessidade de ingerir arroz integral e chá de Jasmim
Pratique o amor integral
uma vez por dia
desde a aurora matinal
até a hora em que o mocho espia.
Não perca um minuto só
neste regime sensacional.
Pois a vida é um sonho e, se tudo é pó,
(Carlos Drummond de Andrade)
13 junho 2007
Semana dos namorados - quarta-feira
Balada do amor através das idades
Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles
espirituoso e devasso,
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
(Carlos Drummond de Andrade)
Sem
Tanto faz.
De qualquer modo me sinto.
Quando a cabeça é pesada
você que me deita no chão.
Quando te ouço calada
sei que não falei sozinho.
Te encontro sempre nesse
samba marcado de resignação.
E me encontras nessa
eterna surpreendente compreensão.
Te faço o cafuné
E o sonho, tanto faz.
expectativas: já basta
Sinto nesse afagar-te
tua mão na minha cabeça.
Cafunezado estou também.
Ou me acho.
acredito onde duvidas.
E deixo mas te provo.
Sabes que falo sério
sempre e anteontem.
e não deixo morrer tão cedo.
Cedinho que quero
pão de queijo na tua aurora.
coisas de casal.
Também adaga de amantes.
Também choro na madrugada.
Aquele frio abdominal.
Exageros,
provas de amor a toda hora.
Inclua isso também.
Cafuné você me faz
Eu te faço...
Tanto faz.
(Pedro Gonçalves)
Verso II - O encontro dos opostos
quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom,
Quando conhecemos o mau.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo
O tom e o som se harmonizam.
O antes e o depois seguem-se um ao outro.
O passado e o futuro geram o tempo.
O longo e o curto se delimitam
O ser e o não ser geram-se mutuamente.
O sábio executa sua tarefa sem agir.
O sábio tudo realiza - e nada considera seu.
O sábio tudo faz e não se apega à sua obra."
...
(Lao Tzu - Tao Te King)
12 junho 2007
Semana dos Namorados - terça-feira
O dia dos namorados
pra mim é todo dia.
Não tenho dias marcados
pra te amar noite e dia.
O dia 12 de junho,
como qualquer outro, diz
(e disso sou testemunho)
que contigo sou feliz.
(Carlos Drummond de Andrade)
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta
listada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
(Manuel Bandeira)
11 junho 2007
Semana dos namorados - segunda-feira
Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como oque era mundo volve a nada.
Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos pra sempre.
Deixaram de existir mas o existido
continua a doer eternamente.
(Carlos Drummond de Andrade)
Semana dos Namorados - Introdução
Deixe a gratidão de lado:
O que que amor tem que ver
Com gratidão, menino,
Que bobagem é essa?
(...)
Sem alma, cruel, cretino,
Descarado, filho da mãe,
O amor é um rock
E a personalidade dele é um pagode.
(Tom Zé - estudando o pagode)
09 junho 2007
Ditirambo
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade
(Oswald de Andrade)
no big deal
DOESN'T NEED A BLUE LAGOON STANDING BY
NO MONTH OF MAY, NO TWINKLING STARS
NO HIDEAWAY
NO SOFT GUITARS
DOESN'T NEED A CASTLE RISING IN SPAIN
NOR A DANCE TO A CONSTANTLY SURPRISING REFRAIN
(Rodgers/Hart - recortado)


















