01 junho 2006

Destino

Amanhã eu vou pescar.

Há um peixe fatalizado
que ritinha vai guisar
na panela de alumínio
que brilha mais que o luar.
Hoje ele está no seu líquido
E opaco mundo lunar,
pequena seta de prata
furando a carne do mar.
Qual será? O bagre flácido
de cabeça triangular?
O lambari que faísca
como uma mola a vibrar?
O feio e molengo polvo,
monstruoso, tentacular?
O peixe espada, de níquel,
a viva espada do mar?

Hoje estão vivos e lépidos,
os lindos peixes do mar.

Amanhã...
Não pensem nisso!
Amanhã eu vou pescar.

(Menotti Del Picchia - 1958)

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